Cuidado... depois não fale que eu não avisei.
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segunda-feira, 2 de abril de 2012



É engraçado dizer, bom, na verdade não, é mais engraçado só pensar, quando agente verbaliza, as coisas tendem a criar uma vida diferente daquela que imaginamos que ela possuiria. Por isso planejamos, para ter um pouco mais da ilusão da certeza de que determinadas coisas podem dar certo ou não. Particularmente acho que a Ilusão da Certeza, garante mais por você crer nela do que por você ter efetivamente planejado. Mas, nada disso muda o fato de ser engraçado dizer, que...

... muitas vezes nossa fé e confiança ficam parcialmente abalados e poxa, nada mais justo, não andar com a maré tem que ser cansativo mesmo, se fosse fácil perderia a graça (ouvi algo assim hoje by new lips), e então, determinadas coisas te dão forças, coisas simples, sorrisos, novas idéias, velhas verdades, e coisas assim. Lógico que parece clichê isso, e realmente tem que ser, afinal é uma constante cultural, acreditar que algo te da forças, venham-as de onde for.

Mas a grande questão é, a profusão de idéias que estão ai, clamando como um enxame de besouros para ter sua própria existência revindicada por um balaustre de ações, sejam elas da esfera que for - mas é importante verbalizar, lembre - enquanto que cultos ocultos mascarados por vultuosos credos de fé racista-hedonista clamam para si o direito, não da verdade, mas do molde mestre, do direito a silenciar - o primeiro que antecede o direito a matar - e para que sofrer o corpo se o Haka ainda é possível?

Não temos mais o direito a berrar, mas é exatamente nessa situação, onde o direito se vai, que aquilo que era preciso vira necessário, temos o dever a derrubar, o dever de machucar, não pessoas, mas os palacetes cristalinos de belezuras unvéritas - quando não pútrefas e cadavéricas - e claro, me reservo o direito de arfar e debater em minha glossolália moderna, construindo verbetes dragonais.

e não?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

 memórias refratárias - fragmento um

[Diário Anônimo - fragmento datado entre os anos de 1897 à 1900]


página 1
"Tenho vivido como um pedinte. Nada tem significado pra mim."


página 3
"Tenho fome."


página 12
"Não sei exatamente aonde estou. A língua falada nesse lugar é diferente, ninguém entende o meu inglês nem minha língua materna.
Estou hospedado em um galpão de armazenagem, esta cheio de objetos para uso no trabalho com a terra. É extremamente frio. Uma família é responsável pelo galpão, são um povo amável, dividiram comigo, o pouco que tem, me alimentaram e me presentearam com uma coberta remendada. Seus nomes são coisas impossíveis de ser pronunciadas, mas temos conseguido nos comunicar. A filha mais nova da família - que é composta por Pai, Mãe, Avó, Filho, Filha e Filha - parece gostar de mim. A avó é desconfiada, murmurou palavras ritmadas, percebi que era um encantamento simples, acho que ela percebeu minha natureza."


página 14
"Estou me recuperando rapidamente. O sentimento positivo da filha mais nova tem nutrido minha recuperação.Seu nome é Anja. Ela me chama de Ierik."


página 15
"O pai se chama Krieger"


página 27
"Estou há algum tempo com a familia, tenho ajudado no campo. Como pagamento pela hospitalidade, sei que não devia, mas eles terão uma boa colheita." 


página 32
"A avó me teme. Ela convoca seus deuses na minha presença"


página 41
"O processo da colheita começou, o campo esta farto, a avó me chama de 'podaga' e não se aproxima de mim, ela me teme, e também não me permite aproximar."


página 45
"Não consigo ficar perto de Anja. Algo que a avó fez não me permite... Esta chegando a hora de ir embora."


página 50
"Essa noite fui visitado por uma mulher em sonho, uma deusa, seu nome era Kupala, ela tentou me expulsar dessas terras... Até perceber o que eu sou. Então ela pediu pela minha saída." 


página 56
"Não importa aonde esteja, nenhum lugar é meu lugar. Antes de ir, a avó me visitou, me prestou tributo, acho que tentava me acalmar. Anja é uma menina muito especial, ela me lembrava Ava . Deixei presentes antes de ir."

[fim do fragmento]